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II Congresso
Latino-Americano dos Catadores
Por
Movimento dos Catadores - RS 01/02/2005 às 16:39
DOCUMENTO FINAL
A
organização, a solidariedade e a consciência da importância dos
Catadores/as de Materiais Recicláveis de Materiais Recicláveis estão
crescendo a cada dia. É isso que nos mostrou o II Congresso
Latino-Americano de Catadores/as, realizado nos dias 23 a 25 de
janeiro de 2005 em São Leopoldo-RS, com 1050 participantes vindos de
todas as regiões do Brasil, e delegações da Argentina, Uruguai,
Chile e Colômbia.
Os
objetivos do I Congresso, presentes na Carta de Caxias do Sul de
2003, foram alcançados, em parte; no entanto, continuam como
desafios para o Movimento. Agora é preciso seguir adiante com as
orientações assumidas neste II Congresso:
1. Reforçar e multiplicar as Associações e as Cooperativas como
bases orgânicas do Movimento , aumentando a participação com a
prática da democracia direta.
2. Avançar na soma de Comitês Regionais, lutando para controlar a
cadeia produtiva da reciclagem por meio de Redes e/ou Centrais de
produção e comercialização.
3. Avançar no processo permanente de formação e capacitação,
garantindo maior autonomia nas lutas e maior capacidade para
conquistar políticas públicas e novas leis que realizem seus
direitos; e de modo especial, os direitos à Previdência Social
pública e os da remuneração pelo trabalho sócio ambiental realizado
pelos Catadores/as e suas organizações.
4. Conquistar políticas públicas elaboradas e excetuadas com a
participação democrática dos Catadores/as, partindo do levantamento
das necessidades locais e organizando ações de mobilização nacional
em favor das propostas assumidas por toda a categoria.
5. Avançar na conquista de educação de qualidade para os filhos dos
Catadores/as, de modo especial para que possam ficar em creches e
escolas de tempo integral, para que não tenham que andar com os pais
no trabalho da coleta e da reciclagem.
6. Lutar por uma educação sócio ambiental nas escolas que valorize a
reciclagem e fazendo a coleta seletiva com a participação dos
Catadores/as.
7. Avançar na prática do princípio da ação direta, protagonizada
pelos Catadores/as, de modo especial por meio de mobilizações para
denunciar os que exploram, tratam com preconceitos e violência os
Catadores/as, e para exigir que os governos reconheçam e assumam as
propostas e reivindicações de suas organizações.
8. Combater a exploração dos atravessadores e as ações das
indústrias geradoras de resíduos.
9. Exigir o repasse direto de recursos públicos, sem burocracia,
para montar ou melhorar a infra-estrutura dos trabalhos da coleta e
da reciclagem.
10. Exigir que a verba das taxas ambientais seja repassada às
Associações e Cooperativas dos Catadores/as e que também as empresas
façam doação do material reciclável produzido por elas.
11. Exigir em lei que os bancos, assim como instituições públicas,
destinem os materiais recicláveis para as organizações dos
Catadores/as.
12. Lutar para que a erradicação dos lixões aconteça só depois de
garantir infra-estrutura de trabalho para os Catadores/as e
implantação de programas de coleta seletiva com sua participação.
13. Garantir a participação dos Catadores/as na elaboração de uma
política pública de habitação que leve em conta suas demandas e
condições.
14. Fortalecer a solidariedade e a articulação do Movimento dos
Catadores/as nos países da América Latina, enfrentando situações
concretas e apoiando o crescimento da organização dos Catadores/as
em cada país e no continente.
15. Fortalecidos com a realização do II Congresso, queremos
aprofundar.a solidariedade com as lutas e organizações de outros
movimentos sociais de nosso países. Desejamos a união de todas as
forças que lutam por uma sociedade em que todas as pessoas vivam com
dignidade, em que o trabalho coletivo construa uma economia
solidária, superando a economia capitalista, baseada na exploração
dos trabalhadores e do meio ambiente. E convocamos, por fim, todos
os Catadores/as a se juntarem a nós, reforçando nosso Movimento e
tornando-se mais fortes para enfrentar seus problemas, e para
exigirmos, juntos, como uma Rede Nacional, todos os nossos direitos.
São Leopoldo, 25 de janeiro de 2005.
Fonte:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/02/306128.shtml
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Carta do
Congresso Latino Americano de Catadores
20/03/2003
De 20 a 23 de janeiro, realizou-se em Caxias do Sul (RS)
o Congresso Latino Americano de Catadores. Confira as
resoluções do encontro.
DOCUMENTO FINAL
Somos 800 Catadoras e Catadores e representamos milhares
de companheiras e companheiros do Brasil, do Uruguai e
da Argentina. Queremos compartilhar com todas as pessoas
a rica experiência de lutas, dificuldades, sonhos e
conquistas vividas neste Congresso. Esta luta não começou agora. Ela é fruto de uma longa
história de mulheres e homens que, com seu trabalho de
Catadores, garantiram a sobrevivência a partir do que a
sociedade descarta e joga fora. É uma história em que descobrimos o valor e o
significado do nosso trabalho: coletando e reciclando
materiais descartados, somos agentes ambientais e
contribuímos com a limpeza das cidades. A organização de
associações e cooperativas criou a possibilidade de
trabalho e renda para os setores mais excluídos da
sociedade. Por tudo isso, o trabalho e as organizações dos
Catadores são uma luz que aponta na direção de um novo
modelo de desenvolvimento para nossas cidades e para
nossos povos. Nossa experiência mostra que todas as
pessoas podem ser muito mais felizes e saudáveis. Basta
dar valor a tudo e reciclar tudo o que for possível,
reciclando a própria vida.
Por que há, no entanto, tanta gente que não vê isso e
não se junta a nós? O Congresso nos ajudou a entender o que vivemos no
dia-a-dia: fazemos parte de sociedades em que valem mais
as mercadorias do que as pessoas e a natureza. Só se dá
valor às coisas que se pode vender para aumentar os
lucros. Tudo que sobra – Só se dá valor às coisas que se
pode vender para aumentar os lucros. Tudo que sobra –
até mesmo as pessoas – é jogado fora. Não se presta
atenção ao que é tirado da natureza para fazer as coisas
que compramos, e menos ainda ao que acontece com a
natureza a partir do que se joga fora. A mesma dominação capitalista que gerou essa mentalidade
está exifindo, nos últimos anos, uma liberdade total
para as grandes empresas e bancos fazerem negócios em
todo o mundo. Ela não respeita nada, nem mesmo a cultura
e a soberania dos povos. Usa até mesmo a guerra para
consumir armas e como instrumento para se apropriar do
resto das riquezas naturais do Planeta. Em nossa América, a ALCA é o caminho escolhido para
colocar nossos povos sob o domínio do império econômico
e militar estadunidense. Sua implantação retirará de
nossas mãos o poder de decidir sobre o nosso destino.
Perderemos o poder de decidir sobre o melhor uso das
riquezas existentes, como a água e a biodiversidade, bem
como o de escolher a melhor maneira de reciclar os
resíduos sólidos, reciclando, ao mesmo tempo, a nossa
vida e a vida de toda a sociedade. Não aceitamos esse projeto dos capitalistas. Ele é
portador de exclusão e de morte para a maioria da
humanidade. Nossa experiência de Catadoras e Catadores
nos mostra que é possível e já estamos abrindo um
caminho novo e diferente, portador de vida para todas as
pessoas e para o meio ambiente da vida. Olhando para o futuro e com grande esperança, os
participantes do 1° Congresso Latino-Americano de
Catadores assumem e convidam as pessoas e povos a
assumirem com eles os seguintes compromissos: 1. lutar em favor da organização de todos os Catadores e
Catadoras em associações ou cooperativas, reforçando os
Movimentos dos Catadores existentes, superando a fome e
a exclusão por meio de iniciativas que gerem trabalho e
renda; 2. intensificar o intercâmbio e a articulação entre as
iniciativas e organizações de Catadores de recicláveis
dos países do Mercosul e de toda a América Latina,
visando a construção de redes de cooperativas,
associações e empresas comunitárias e uma futura criação
de um movimento latino-americano deste setor; 3. trabalhar em favor de uma maior integração das
comunidades de nossas cidades com as organizações de
Catadores através de políticas e programas de educação
ambiental, garantindo sua cooperação na separação e
entrega dos recicláveis, no controle das ações dos
governos, na valorização do trabalho dos Catadores, na
participação em Fóruns de Gestão das políticas públicas;
4. conquistar, junto aos governos, o reconhecimento do
trabalho dos Catadores na limpeza pública e a
regulamentação da nossa profissão; 5. garantir programas de alfabetização e de formação
para os Catadores que não tiveram oportunidades; 6. lutar pela revisão da legislação do cooperativismo
para facilitar a implementação e o funcionamento do
sistema no processo de organização dos Catadores; 7. lutar por novas formas de acesso dos Catadores aos
benefícios da Previdência Social; 8. lutar contra a privatização do setor e garantir que
os programas de coleta seletiva sejam implementados
prioritariamente em parceria com as organizações de
Catadores; 9. garantir que os investimentos do governo federal
brasileiro para o setor de resíduos sólidos urbanos
sejam condicionados à implantação da coleta seletiva em
parceria com as organizações dos Catadores. 10. Lutar pela erradicação dos lixões e implantação de
aterros sanitários e pela garantia de investimentos para
a implantação de infra-estrutura para o trabalho dos
Catadores através de suas organizações; 11. Lutar por uma legislação que exija que as empresas
geradoras de resíduos sólidos assumam com
responsabilidade o seu destino correto; 12. Dar passos concretos para garantir o domínio da
cadeia produtiva por parte das organizações dos
Catadores, articulando-se com outros movimentos sociais
para garantir que as propostas de leis e de políticas
públicas referentes à coleta, triagem e industrialização
de resíduos sólidos, elaboradas pelos Catadores, sejam
assumidas pelos governos; 13. Lutar por políticas públicas de fomento e incentivo
para a capacitação e formação, com autonomia pedagógica
das organizações de Catadores; 14. Lutar pela criação de linhas de crédito específicas
para grupos organizados de Catadores; 15. Exigir a garantia da integração dos Catadores na
política de saneamento ambiental; 16. Lutar em favor de políticas de meio ambiente e de
investimentos em tecnologias adequadas de
industrialização; 17. Lutar em favor de nova modalidade de contrato de
prestação de serviços entre as prefeituras e as
organizações de Catadores na Coleta Seletiva; 18. Mobilizar nossas organizações contra a guerra ao
Iraque e contra a militarização do Continente Americano
com bases estadunidenses, reforçando a luta pela paz.
Caxias do Sul, 20 a 23 de janeiro de 2003 Fonte:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2003/03/250219.shtml
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