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18/08/2005 - 09h13
Poluição em SP mata oito por dia
AFRA BALAZINA
da Folha de S.Paulo
A poluição atmosférica mata indiretamente, em média, oito pessoas por
dia na cidade de São Paulo. A exposição aos diversos poluentes emitidos
também reduz a expectativa de vida dos habitantes: pesquisas indicam que
o paulistano perde dois anos de vida por morar em um local poluído.
Apesar de assustadores, esses números já foram maiores --chegaram a 12
mortes diárias indiretamente causadas por poluentes e três anos de vida
perdidos.
Os dados, baseados em diversos estudos do Laboratório de Poluição
Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, mostram que
ações como o Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por
Veículos Automotores) e o rodízio foram positivas para a melhoria da
qualidade de vida na capital.
Mas, segundo o professor Paulo Saldiva, as conseqüências da poluição à
saúde ainda são alarmantes e é preciso mais medidas para enfrentá-las.
"Diferentemente do cigarro, a poluição do ar não pode ser evitada pelas
pessoas."
Segundo ele, quem mais tem problema de saúde decorrente da inalação de
poluentes são os idosos, que acabam sendo vítimas principalmente de
pneumonia, infarto agudo do miocárdio e enfisema. Já as crianças, que
vêm na seqüência na lista de mais afetadas, têm pneumonia e asma.
A pneumonia, inclusive, foi a terceira principal causa de morte na
capital no ano passado. O número de casos da doença que resultaram em
óbito aumentou 11% de 2003 a 2004, segundo levantamento da CEInfo
(Coordenação de Epidemiologia e Informação), da Secretaria Municipal da
Saúde.
"Mesmo as pessoas saudáveis sofrem os efeitos da poluição e ficam mais
hipertensas nos dias poluídos", afirmou Saldiva.
Além das oito mortes diárias induzidas pela poluição, uma pesquisa do
laboratório indica que há um aborto por dia na cidade, depois do quinto
mês de gestação, em decorrência do problema. "O fluxo arterial na
placenta se reduz nos dias de maior poluição."
O vilão
Para medir quem mais contribui com a emissão de gases de efeito estufa e
listar medidas para reduzi-los, a Prefeitura de São Paulo pediu
inventário ao Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e
Mudanças Climáticas (Centro Clima) da UFRJ.
A pesquisa, apresentada ontem, mostra que o uso de energia é o principal
responsável pela emissão de metano e dióxido de carbono, com 76%. O
relatório, referente a 2003, é o segundo feito em âmbito municipal. O
primeiro foi feito no Rio de Janeiro em 1998.
Nesse estudo, o vilão mais uma vez foi o transporte. A utilização de
combustíveis fósseis representa 88,7% das emissões decorrentes do uso de
energia --e a gasolina é o combustível que mais contribui para a
poluição, com 35,7%.
"Agora, é necessário criar cenários com alternativas para mitigar as
emissões e, depois, propor políticas públicas", disse a
coordenadora-executiva do inventário, Carolina Dubeux. Ela sugere
estudar a troca de combustível (usar o álcool em vez da gasolina) ou a
ampliação do uso do metrô. "A diminuição da poluição depende de práticas
do dia-a-dia", diz o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente,
Eduardo Jorge.
Sua pasta iniciou, há um mês, a inspeção veicular dos ônibus do
transporte público para minimizar a emissão. Dos 225 ônibus fiscalizados
até agora, de seis viações, 14 tinham situação irregular.
fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u112125.shtml
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